Altos e Baixos: duas asas do mesmo pássaro

  A vida não é uma linha reta. Ela é composta por altos e baixos que perduram até o nosso último suspiro, quer queiramos ou não. Aceitar esse fato é o primeiro passo para entender como funciona as regras do jogo dessa rápida estadia no plano terreno. Uma vez sabido isso, por que às vezes temos tanta dificuldade em lidar com as más situações que inevitavelmente se apresentam?

Apesar das fases ruins serem comuns, o ser humano possui uma inclinação exagerada ao conforto, o que faz com que ele mova mundos e fundos para criar uma estabilidade ao seu redor. Essa suposta estabilidade faz com que o indivíduo acredite, erroneamente, que é invencível, e que uma vez adquirido o conforto, nada pode removê-lo dele. É exatamente aí que mora o perigo.

Quando a compulsão em viver isento de dificuldades se faz presente, qualquer situação que fuja desse padrão é motivo para causar intenso sofrimento. Nesse cenário, o cérebro está programado para operar somente em uma frequência, por isso, quando ele é submetido a uma nova, gera um incômodo e consequentemente uma paralisia diante do novo contexto.

Uma vez imerso nessa diferente realidade, uma enorme complexidade e dificuldade passam a girar em torno do indivíduo, impedindo-o de enxergar as possibilidades, o que torna-o um mero fantoche da ação do tempo.

É inegável que para vencer as adversidades é necessário preparo, e este só se consolida a partir do momento em que o envolvido possui outras habilidades capazes de torná-lo apto a lidar com o contraditório, como por exemplo a inteligência emocional, resiliência, humildade, autoconhecimento, dentre outras. Ressalto que tais características não são cedidas gratuitamente. Trata-se de uma questão óbvia, afinal, tudo na vida tem um preço, seja ele monetário ou não. Uma vez que há esse entendimento, é lícito questionar: por que as habilidades, que são ferramentas valiosas para se ter uma boa vida, deveriam cair do céu?

O mal daquele que coloca o conforto acima de tudo é acreditar que o mundo deve se submeter aos seus caprichos, como se fosse o centro do universo. Essa é uma falha gravíssima, pois a realidade é que ninguém é tão especial como imagina. As pessoas são movidas por interesses, e a partir do momento em que alguém não tem mais nada para pôr à mesa, ela é facilmente descartada, então é uma mera ilusão o que esses viciados em estabilidade procuram.

        Os altos e baixos da vida são, além de inevitáveis, nossos companheiros fiéis até o findar da nossa existência. Para que momentos bons existam, é necessário haver os ruins e vice versa. São duas asas do mesmo pássaro. Querer a extinção de um é o mesmo que desejar a do outro. De maneira análoga, o mesmo ocorre com os batimentos do coração, do qual é possível ver de maneira bem exemplificada em um exame de eletrocardiograma. É possível observar os altos e baixos em diferentes intensidades e frequências, o que de maneira similar também acontece na vida.

        Encare cada momento como um presente, mesmo que pareça torturante manter-se erguido ante às ruínas. Tudo que começa acaba, mesmo aqueles momentos em que o fundo do poço pareça ser a única companhia. Os dias ruins servem para nos presentear com a oportunidade de aprendermos a ser fortes, além de nos ensinar a valorizar os bons momentos vindouros. A estabilidade que muitos procuram é uma utopia de mal gosto, então, é preciso se concentrar apenas em viver todas as fases e momentos de coração aberto, independentemente de quanto tempo estes irão durar. Pode ser que no caminho, o medo venha fazer companhia. Se isso acontecer, ofereça-o uma xícara de café e não pare.

Texto autoral de Maycon de Souza


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