Qual o prazo de validade do ideal monogâmico familiar?


     A família possui origens no ideal de monogamia instituído pela religião e pela formação da sociedade através do Estado. Anterior a isso, a espécie se mostrava como nômade e poligâmica. Esse antigo status quo perdurou por milhares de anos, ao passo que o conceito de família, seja ela tradicional ou não, é um fenômeno ainda muito recente para nós, enquanto homo sapiens. O modelo familiar ainda está sob o julgo da adaptabilidade, haja vista que os modelos familiares estão em contínua transformação, agregando até mesmo os pets. 

        No Japão, há lojas que vendem robôs que emulam o papel de algum membro da família, sem contar que há agências de atores em que é possível contratá-los para que interpretem algum ente familiar.

Clique aqui para ler a reportagem sobre "família de aluguel", pela revista Época Negócios.

    Em vias gerais, acredito que não é necessário a existência da família para tornar o indivíduo “completo” e feliz, uma vez que há outros aspectos que também são tão relevantes (ou até mais) do que essa convenção social. Percebo que esse entendimento está se tornando cada vez mais comum, haja vista a crescente decisão das pessoas em seguirem seu próprio caminho, sem a necessidade de possuírem cônjuge, filhos ou agregados. 

        É perceptível que ainda hoje há um esforço do Estado e da religião para que o ideal familiar ainda exista. O Estado precisa dela para que as pessoas consumam mais e paguem mais impostos e a religião necessita desse ideal para que seus dogmas sejam repassados de geração em geração, e assim continue viva e atuante. A questão fundamental é: nós, enquanto sociedade, algum dia, chegaremos à conclusão de que a construção social da família é algo desnecessário e/ou indesejável?

        Entendo que ainda é muito cedo para se ter um diagnóstico assertivo sobre esse tema, embora possam existir muitas especulações. De modo geral, a sociedade baseia seus conceitos de família através do empirismo. 

        Através disso, se eu pudesse dar algum palpite, apostaria que no futuro as pessoas contemplarão o resultado desse processo empírico através de uma ótica racional, livre das amarras estatais e religiosas e chegará a uma conclusão de que constituir uma família (independente do modelo) não é um bom negócio. Não quero dizer com essa aposta que sou contra a instituição da família ou que desejo que tal dissolução ocorra, trata-se apenas de uma observação cautelosa que há tempos venho fazendo acerca desse assunto. Motivos para acreditar nisso não faltam, dentre eles os excessos ocasionados pela cultura da libertinagem sexual, as relações líquidas como padrão normativo (referenciando Bauman), o culto exacerbado à descartabilidade das relações sociais, dentre tantos outros.

                                     Nesse vídeo, falo um pouco mais sobre a monogamia e afins

Qual a sua opinião sobre o assunto?

Texto autoral de Maycon de Souza


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