A felicidade sob o ponto de vista aristotélico
Muito se fala em felicidade, mas toda vez que esse assunto é colocado na mesa, sempre vem acompanhado de diversos clichês que fazem os interlocutores darem voltas e mais voltas para, no final das contas, chegarem ao mesmo lugar: nos prazeres momentâneos.
A felicidade foi por séculos (e até hoje continua sendo) um conceito amplo e complexo. É impossível haver uma definição que se encaixe perfeitamente para todas as pessoas, pois, aquilo que alguém compreende como tal, para o outro pode ser supérfluo ou até mesmo algo que exerça algum vínculo com sentimentos contraditórios. Outro aspecto a ser ressaltado é que a felicidade é mutável, ou seja, aquilo que compreendemos como um estado feliz hoje, amanhã pode não representar mais.
É um fato observável que a felicidade só é possível de ser mensurada através de comparação, e isso Aristóteles era enfático ao colocar como um ponto importante a ser observado. Para ele, a concepção de felicidade varia de acordo com o grau de entendimento que cada indivíduo tem sobre a vida. Se uma pessoa não possui virtudes que visam um encorajamento voltado a ações éticas, este está fadado a se afogar em um mar de angústias.
Outro aspecto importante é que para Aristóteles, todas as nossas ações são meios para se obter um fim, e esse “fim” é a própria felicidade em si mesma. Ela está atrelada ao bem-estar, à saúde, à realização dos prazeres etc. Nesse contexto, o vício também está muito próximo das virtudes, pois a falta de equilíbrio entre corpo e mente ocasionam a infelicidade. Com base nisso, podemos observar uma linha tênue que separa esses opostos, assim, Aristóteles entende que é necessário não se submeter à privação nem ao excesso, por isso, o uso da razão se faz necessário como uma importante ferramenta para o alcance do equilíbrio.
Em resumo, a felicidade é uma prática que requer constância, não um estado acabado. Em outras palavras, ela é um caminho, não uma linha de chegada. Dado esse entendimento, é muito comum observar pessoas com uma compreensão equivocada, pois acreditam que ela é algo permanente e inerte, o que foge totalmente do que de fato ela representa. Esse equívoco gera frustrações e um acentuado sentimento de angústia nos indivíduos, tornando-os seres cada vez mais distantes do ideal de felicidade.
E para você, o que é felicidade?
Interessante
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