O amor, por uma perspectiva sensata.





O amor é um sentimento que muitos dizem sentir, alguns dizem conhecer, porém, poucos sabem de fato o que ele é em sua verdadeira essência.

Nossos sentimentos se confundem e, muitas vezes, ficam entrelaçados; em alguns momentos embaçados, por isso, é comum haver a falsa sensação de sentir algum apreço por alguém, principalmente quando este se refere ao tão comentado “amor”, que muitas vezes (arrisco até em dizer que na maioria delas) é só da boca pra fora, não há o sentimento genuíno que pode ser definido e explicado de forma abrangente e coerente.

Muitos filósofos, pensadores e escritores tentam explicá-lo através de teorias, poesias, fatos históricos e até mesmo mediante uma perspectiva empírica, todavia, não há um consenso capaz de desenhar a verdadeira face deste sentimento tão simples e ao mesmo tempo tão complexo.

Apesar de parecer ousadia de minha parte, venho de maneira simplista expor meu conceito a respeito de tal assunto, de modo que contribua e crie no leitor um entendimento e o leve a uma reflexão aprofundada sobre o tema. O amor não é uma sensação única, na realidade, trata-se de um conjunto de sentimentos agrupados em uma sequência lógica e sucessiva. Sim, você leu corretamente, embora muitos discordem de que haja alguma relação entre o amor e a razão, eu disse que há uma sequência LÓGICA e sucessiva. Vou explicar-lhe a seguir.

 Como dito no parágrafo acima, engana-se quem acredita que o amor é um sentimento isolado, haja vista que há alguns pré-requisitos para que ele seja manifestado em sua forma genuína. Ele é composto de maneira plena e evolutiva por uma sequência de sentimentos que o antecede, são eles: Respeito, Simpatia, Admiração e Paixão. Vou explicar-lhes em detalhes a lógica evolutiva.

RESPEITO: ele, além de ser o pré-requisito para qualquer relação humana, é o que nos torna acessíveis e aptos para viver em sociedade. Sem ele, não há nenhum outro motivo que justifique estar perto de alguém. Neste estágio, há uma relação de mutualidade, da qual dois seres compreendem o quão são parecidos e dignos de atitudes éticas;

SIMPATIA: a partir do momento em que um ser adquiriu respeito e começou a identificar-se com algumas atitudes do outro, começa a ser cultivada a simpatia. Ela, por sua vez, tem a ver com gostar do modo pelo qual a pessoa se expressa, da forma que ela lida com as situações da vida e principalmente de como é tratado por esta pessoa. Em outras palavras, é sentir-se bem sob a companhia deste ser;

ADMIRAÇÃO: quando a simpatia está em um grau elevado, as atitudes da pessoa, opiniões e modo de agir passam a ter relevância na vida do outro, dá-se início à admiração. Neste estágio, o individuo passa a se sentir totalmente atraído pelo que o outro é e faz. As qualidades do outro lhe chamam atenção de modo que há um encantamento fora do normal, de modo que você passa a considerá-la uma pessoa totalmente diferenciada das demais, o que lhe faz querer tê-la por perto;

PAIXÃO: ocorre quando a admiração é atingida em seu nível máximo. Neste sentimento, há um excesso de admiração pelo outro, de modo que somente as características positivas são observadas. A pessoa fica totalmente cega e não consegue admitir a possibilidade da pessoa alvo de sua paixão possuir algum defeito. O apaixonado, além de ter a necessidade desenfreada de ter o outro por perto, acredita que ele é sua propriedade. Este é um sentimento avassalador, que deve ser observado com bastante cautela, pois é responsável pelas grandes mazelas e estragos, sejam físicos ou psicológicos, tanto em relação a si como pelo outro. O ideal é que haja um cuidado e discernimento ao identificar que está neste estágio, pois ao ser elevado ao seu grau máximo, a paixão pode ser voraz e destrutiva, podendo ser comparada a um vício.

                A paixão possui um prazo de validade de acordo com o tipo de relação. Ao final deste prazo, os defeitos do outro - que até então eram imperceptíveis - passam a ser observados  e, quando isso ocorre, restam duas alternativas:  o apaixonado começa a amar ou a relação encerra-se por aí.

                Se depois de todas estas etapas o indivíduo não perder o apresso pelo outro, a mágica finalmente acontece... Surge o genuíno amor!

                AMOR: O amor é o sentimento mais maduro e racional no processo de afinidade humana. É muito parecido com a paixão, no entanto, o individuo passa a enxergar e aceitar a imperfeição do outro sem causar nenhum prejuízo ao sentimento já conquistado. No amor, há a sensação de que o outro faz parte do seu próprio Eu, embora não haja o sentimento de propriedade. A prioridade daquele que ama passa a ser a felicidade do outro, ainda que para isso tenha de abrir mão de tê-lo por perto, se isso o fizer feliz.

                Somente o verdadeiro e genuíno amor é capaz de vencer as barreiras do tempo, bem como sobreviver às adversidades que surgem no decorrer da vida. Ele é capaz de compreender e enxergar o outro além do que os olhos veem. Trata-se de um sentimento que transcende o mundo físico e passa a ter uma conotação espiritual.

                Enfim, o amor em sua verdadeira face é divino. Muitas pessoas passam pela vida sem ao menos experimentá-lo de fato. Ele não tem hora nem lugar para acontecer, simplesmente acontece de um modo que nossa compreensão humana é incapaz de explicar. Se você teve o prazer de vivê-lo, considere uma pessoa privilegiada pela vida.

Texto autoral de Maycon de Souza


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