O ter em detrimento do ser


Hoje, em nossa sociedade moderna, é comum identificarmos pessoas que estão aprisionadas no ter em detrimento do ser. Essa inversão de valores naturais faz com que haja uma legião de seres que “falam demais por não ter nada a dizer”. Em outras palavras, trata-se de uma máscara que visa esconder o próprio Eu das amarras da vida.

Quando o individuo considera o “ter” mais importante que o “ser”, ele usa de desonestidade e falsidade (ambos venenos nocivos) contra si. É comum ver pessoas vivendo de aparências o tempo inteiro, seja em aspectos financeiros, intelectuais ou em relacionamentos. São pessoas que não são avantajadas financeiramente, mas fazem questão de endividar-se somente pelo status que a aquisição de algum bem irá lhe proporcionar; pessoas que não têm domínio em um assunto específico, no entanto, mostram-se detentoras da verdade e não se permitem ser contrariadas; pessoas que possuem grande lacuna intelectual e espiritual, no entanto, fazem questão de pregar como dogmas valores éticos e morais, apesar de não os colocar em prática; e por aí vai... Não é necessário ir muito longe para observar tais situações.

Diante do exposto, este tipo de comportamento pode ser comparado a uma patologia devido às consequências psicológicas que são acarretadas no médio e longo prazo. O que preocupa é o aumento significativo de pessoas que incorporam este comportamento em seu dia a dia, tornando as pessoas mais frágeis e suscetíveis aos diversos problemas psicológicos que tais práticas causam.

Devido ao fato da tecnologia e a internet proporcionarem acesso às informações de modo desenfreado e sem qualquer filtro, há um aumento no número de pessoas que fazem questão de expor uma pseudo “felicidade” e que fazem questão de mostrar que fazem parte de determinado grupo, o que resulta em pessoas superficiais e cada vez mais rasas. Há uma célebre frase de um autor desconhecido que resume bem este contexto: “Tempos difíceis criam homens fortes; homens fortes criam tempos fáceis; tempos fáceis criam homens fracos; homens fracos criam tempos difíceis” e assim o ciclo se repete. Tendo em vista o passado não muito distante, podemos dizer que hoje vivemos em tempos fáceis em virtude das comodidades que possuímos.

Como lidar com a problemática do texto? Embora eu não acredite que seja possível mudar a mentalidade do outro, temos total domínio da nossa. O máximo que pode acontecer em um diálogo é fazer com que a outro reflita sobre algo que foi dito. Creio que toda mudança de paradigmas é motivada por questões internas, baseadas em experiências vividas. É insanidade tentar forjar mudanças de opiniões e de comportamentos em terceiros. Nós devemos ser a mudança que queremos ver, por isso, liderar pelo exemplo é e sempre será o melhor método de inspirar mudanças ao nosso redor.  

Texto autoral de Maycon de Souza

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